Para quem lida com refrigeradores e com climatizadores, o gás R22 já faz parte do vocabulário. Isso porque a substância é uma das principais utilizadas nesses produtos por possuir poder refrigerante.

Porém, atualmente, uma grande polêmica ronda esse assunto: qual será o futuro desse gás em época de conscientização global? Qual a solução para seus efeitos colaterais? Leia mais sobre o assunto:

Afinal, o que é o gás R22?

O “Refrigerant 22” é um gás refrigerante incolor utilizado desde o ano de 2003 em refrigeradores, ares-condicionados comerciais e resfriadores de líquidos. Suas características físicas e químicas, aliadas à eficiência volumétrica, garantem uma ótima performance em produtos de baixa e média capacidades. Por isso, desde o início de sua aplicação, o gás R22 vem fazendo muito sucesso.

Porém, ele possui grandes desvantagens para a natureza e para o homem. De acordo com as especificações, a substância é inflamável, perigosa para o ambiente (principalmente para a camada de ozônio). Além disso, em contato com a pele, pode gerar irritação e, se inalada, pode causar asfixia.

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Qual o impacto da substância para o mundo?

Vivenciamos uma época de conscientização no que se refere ao meio ambiente e à qualidade de vida não só do homem, mas também da fauna e da flora do mundo todo. Muito ouvimos dizer sobre camada de ozônio, poluição do ar e aquecimento global, mas esses problemas são mais reais e estão mais próximos do que se pensa de toda a humanidade.

Exatamente por isso, as organizações e os governos de muitos países começaram a agir para desacelerar a produção de substâncias tóxicas, inflamáveis e nocivas à natureza. Dessa forma, muitos gases e poluentes estão sendo repensados por empresas que se preocupam com a situação do planeta, e isso não poderia ser diferente com o gás R22. Pelo perigo que ele apresenta à camada de ozônio e por seu poder de retenção de calor, seu uso tem sido reduzido em alguns países desenvolvidos, mas, mesmo assim, a substância ainda é muito utilizada no mundo todo por causa de sua alta demanda. De qualquer forma, é um processo lento de mudança.

Aqui no Brasil, o uso do gás R22 é grande, principalmente em estabelecimentos comerciais e indústrias. Desde o ano passado, as empresas visam cortar o uso do gás em 6,6%, com o foco de chegar a 35% até 2020.

Qual é solução?

Como solução para este problema, novas opções de gases refrigerantes estão surgindo no mercado – todos com prós e contras. Alguns gases, por exemplo, não são tão seguros e potentes quanto o gás R22, e outros não valem o custo x benefício.

Porém, algumas alternativas estão chamando a atenção de fabricantes de instaladores de ares-condicionados, como o gás R410A, uma substância ecológica que não possui CFC (clorofluorcarbono, elemento inimigo da camada de ozônio), não é tóxica e nem inflamável, tornando-se, assim uma solução inteligente e sustentável para os problemas trazidos pelo seu antecessor.

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Prós e contras do gás R410A

O R410A:

– Tem pressão de funcionamento superior ao gás R22 e, por isso, todo material usado nas instalações deve ter resistência maior – as tubulações devem resistir às pressões de 3,8 MPa;

– É um refrigerante misto, mas deve ser carregado em estado líquido, caso contrário, pode comprometer o funcionamento do sistema;

– Não aquece exageradamente os tubos de cobre na soldagem, o que faz com que eles não danifiquem nada e nem atrapalhem a instalação;

– Seu único “contra” é o preço mais alto, comparado ao seu antecessor.

Posso trocar o gás R22 pelo R410A no meu ar-condicionado?

Devido às diferenças de pressão e de instalação de um tipo de gás para o outro, a resposta é não. Além disso, os fluidos são totalmente diferentes um do outro, além de o óleo compressor e os materiais de instalação também são diferentes. Caso troque, você pode causar uma explosão em seu aparelho.

Uma solução viável, nestes casos, é o retrofit, ou seja, a reciclagem da unidade resfriadora. Esse processo pode acontecer após uma análise das condições do aparelho e com o acompanhamento de um técnico profissional no assunto, que realizará uma série de procedimentos.

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Posso reciclar o gás R22?

O descarte de fluidos refrigerantes na natureza é considerado crime ambiental e, por isso, o recolhimento e a reciclagem destes está crescendo cada vez mais. Máquinas de reciclagem de fluidos refrigerantes coletam esse material e o encaminham para um Centro Regional de Regeneração, onde é filtrado e tratado para retirada das impurezas.

Concluindo, o gás R22, por ser nocivo ao meio ambiente, vem perdendo espaço para um forte substituto, o R410A. Porém, é bom lembrar que não se pode simplesmente retirar um e colocar outro no seu aparelho – é sempre indicada a ajuda de alguém que tenha conhecimento do funcionamento dos gases para poder auxiliá-lo nessa situação.